sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Plenitude dos tempos (1/2)

Escrevendo às igrejas da Galácia (uma região que hoje fica na Turquia), o apóstolo Paulo disse que Jesus veio “na plenitude dos tempos”.

Há quem veja nesta expressão (to pleroma tou kronou) apenas uma declaração semelhante a “quando chegou o tempo certo” ou “quando chegou o tempo determinado por Deus”, o que não deixa de ser verdade. Porém, há mais do que isso: A ideia é de que Jesus veio quando o tempo já estava completo. Ou melhor: quando as coisas que se completam com o passar do tempo já tivessem chegadas a sua plenitude. Já estivessem maduras.

Alguns veem uma alusão às profecias de Daniel, especialmente às que se referem ao tempo do fim (...Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, embranquecidos e provados; mas os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão” Dn 12.9-10), pois, desde o Pentecostes vivemos no período que a Bíblia chama de “os últimos dias”.

Entretanto, há quem pense em algo “mais concreto”: Os tempos estavam maduros, de muitos modos, para receber o Messias, seu Evangelho se propagasse por todos os povos e o Povo de Deus pudesse assumir a forma de Igreja com maior facilidade.

Quando Jesus nasceu o mundo ocidental estava sob o domínio político e militar dos romanos, porém a cultura dominante era a grega. E hoje, olhando retrospectivamente, vemos que, desde pequenos detalhes até grandes acontecimentos, prepararam o ambiente para a chegada de Jesus e a disseminação do Evangelho.

Dou como exemplo de um “pequeno detalhe” a crucificação. Para ser maldito de Deus Jesus teria de morrer crucificado - pois assim a lei o determinava (Dt 21.22e23) - o que jamais aconteceria entre os judeus, se eles não estivessem ocupados militarmente por romanos e se não o acusassem o Senhor de sedição contra césar, pois a pena de morte entre os judeus era o apedrejamento.

Como exemplo de um grande acontecimento cito a tradução do Antigo Testamento para o Grego, cerca de 200 aC. permitindo a preparação para o Evangelho entre os povos conquistados pelos romanos.

Longe de nos queixarmos do desenvolvimento filosófico grego deveríamos agradecer a Deus por ter preparado esta estrada por onde o pensamento cristão haveria de trilhar. Algo do que seria revelado pela fé já fora cogitado pelos filósofos gregos ao ponto de Agostinho, (Cidade de Deus 8.11), levantar a hipótese de Platão ter conhecido o Antigo Testamento.

Não se pode deixar de lado o fato de que, desde a invasão de Jerusalém pelos babilônios, os judeus tenham se espalhado pelo Egito, costa da África, Ásia Menor (hoje Turquia), Arábia e em cada lugar fundado sinagogas, que permitiram aos primeiros missionários (lembre-se do costume de Paulo) encontrarem em cada cidade pontos de contato para falar do Messias.

Digno de nota também foi a infraestrutura proporcionada pelas estradas romanas que ligavam todos os pontos do império. Embora não saibamos exatamente a extensão delas nos dias de Jesus, sabemos que em 312 aC. a Via Ápia, a primeira construída possuía apenas 300km, mas em seu auge o Império Romano chegou a contar com 150.000Km de estradas pavimentadas com pedras (o Brasil hoje possui 62.oooKm de estradas asfaltadas), com muitos túneis e pontes (alguns ainda em uso).

Era a época certa para a vinda de Jesus e ele veio.

2 comentários:

Samuel Vitalino disse...

Sempre elucidativo!

Ricardo Manha disse...

Seu gosto pela história chega a ser incentivador para quem o lê.
Bom post.

Abraços com saudades.